2008-03-27
Tags: Music, Philosophy

Balada legal é da hora

A indústria cultural também é responsável pela idiotice de algumas novas gírias.

A gíria é uma força que leva ao desentendimento entre diversos tempos. Por exemplo, "Erotik" não é o que você pensou, e sim uma bonita peça para piano de Edvard Gried. "Erótico" significava "amoroso" ou "relativo ao amor". A palavra, faz pouco tempo, especializou-se no sexo, longe do significado que lhe davam os filósofos.

Outro exemplo. Há anos tento tocar (mas é difícil) a terceira balada para piano de Chopin — uma cativante peça de uns 7 minutos de duração, com um incrível equilíbrio dramático e formal. Quando uma amiga pronuncia a palavra "balada", o que me vem à mente primeiro é o significado original da palavra: obra musical ou poesia narrativa épica, geralmente de caráter folclórico.

O triste é que eles, os estúpidos, nossos inimigos de sempre, pegaram essa palavra e inventaram uma gíria, significando "festa noturna, geralmente em boate". Esta página sobre gírias data o fato de 1997 e o atribui aos "espertos da mídia dance (novamente eles)".

Minha amiga replica: "Qual o problema da gente usar a palavra balada, se hoje ela tem esse significado?"

O problema é que é necessário resistir à estupidez promovida pela indústria cultural (pois cultura não é mercadoria). Vejamos mais algumas gírias a serem evitadas:

  • "Da hora", "do momento" etc.: É justamente o que o capitalismo quer que você pense: o que é bom é a última novidade, alardeada pelos meios de comunicação. Ao contrário, o bom é o que não é efêmero, e sim eterno.

  • "Something rocks!": mesma crítica, cumulada com mau gosto musical. Eu prefiro exclamar: "É cláaassico!"

  • "Legal": quando surgiu, provavelmente significava "é bom porque não é ilegal". O problema aqui é aceitar passivamente a presunção de que tudo o que é bom é legal e tudo que não é bom é ilegal.

  • "Animal", "irado"...

← voltar ao blog